Sob intenso protesto popular, comandante do CPC fala sobre o fechamento de companhias militares
13.Jul.2017

Audiência pública realizada na noite da última quarta-feira, 12/07, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), discutiu o fechamento de 10 companhias de Batalhões da Polícia Militar em Belo Horizonte.

O presidente da Aspra/PMBM, sargento Bahia, participou da reunião a convite do presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Sargento Rodrigues. A sessão contou com intensa participação de moradores e líderes comunitários da capital mineira, bem como com a presença do Comandante de Policiamento da Capital, Cel Winston Coelho Costa. Compuseram a mesa de trabalhos a delgada da Polícia Civil, Cristiane Lima, o vereador Orlei e os seguintes deputados: Sargento Rodrigues, Cabo Júlio, Fred Costa, João Leite e João Vitor Xavier.

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Para o deputado estadual Sargento Rodrigues, autor do requerimento, o fechamento significaria um retrocesso de duas décadas, período no qual foram envidados esforços pela descentralização da estrutura da corporação, com a finalidade de aproximar a PM da população.

O parlamentar também apresentou um documento com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAF), do Governo de Minas Gerais, para comprovar os cortes de custeio na PMMG nos últimos três anos. A verba destinada à corporação no período diminuiu em mais de 200 milhões de reais. A tese é de que o projeto seria uma iniciativa do Governo do Estado para cortar gastos.

Comandante do CPC fala sobre o projeto e apresenta dados sobre a capilaridade

Image00007O representante do Comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais e Comandante de Policiamento da Capital, Cel Winston Coelho, falou que o projeto, de autoria da PMMG, prevê a substituição das companhias por vans adaptadas para serem bases policiais e que, apesar de móveis, estarão fixadas em pontos estratégicos.

De acordo com o oficial, 02 militares ficariam na base, enquanto outros dois patrulhariam o entorno em motocicletas, sob o planejamento e comando de um tenente. Seria instalada uma base a cada 4 Kms e cada unidade teria seis câmeras, que auxiliariam no controle da área.

Cel Winston ainda apresentou dados sobre ocorrências, horários, número de policiais nas ruas e capilaridade. Segundo ele, os pontos da PM cresceriam de 35 para 110,o que melhoraria o atendimento ao cidadão, já que a polícia seria mais “vista”.

Forte protesto demonstra a impopularidade da medida

Os líderes comunitários e os próprios moradores das regiões onde se pretende fechar as companhias compareceram em peso à audiência Image00008pública para demonstrar a insatisfação. As reivindicações e reclamações giravam em torno do fato de que já existe por parte da população de Belo Horizonte uma sensação de insegurança generalizada.

Nesse contexto, e somado ao fato de que o efetivo policial é insuficiente para atender de forma adequada às demandas, o fechamento das companhias significaria maior abandono dos cidadãos e, simultaneamente, a exposição dos militares a um risco maior, uma vez que eles estariam expostos nestas bases.

Para a comunidade, o ideal seria que se mantivesse as companhias e as bases fossem agregadas a elas, e não que a existência de uma fosse excludente do funcionamento da outra unidade.

Presidente da Aspra rechaça modelo e cobra o cumprimento da Lei do Efetivo

Image00013Em sua fala, o presidente Aspra/PMBM, sargento Bahia, falou que o projeto de posto policial apresentado pela PMMG é inspirado no Koban, modelo adotado no Japão. “É impossível implantarmos esse modelo no Brasil, com uma taxa de homicídios superior a 60.000 por ano. A taxa de criminalidade no Japão é baixíssima e a diferença na realidade dos dois países não pode ser ignorada”, apontou.

Bahia também falou sobre o problema da falta de efetivo, especialmente no interior e lembrou a trágica morte do Cabo Marcos Marques, em Manhuaçu. O militar estava acompanhado de apenas um companheiro e foi fatalmente baleado por assaltantes de banco. O fato reforça a vulnerabilidade dos policiais militares.

“Nos próximos anos, sairão de 04 mil a 05 mil policiais da corporação. Atualmente, o contingente já está defasado. Enquanto a Lei do Efetivo prevê a contratação de  51 mil  policiais militares, atualmente contamos com apenas 42 mil. E temo que situação piore nos próximos anos”, disse o presidente da Aspra/PMBM.

Sargento Bahia ainda ressaltou o valor dado à comunidade ao policial que está na rua. “Não por acaso, a Polícia Militar de Minas Gerais é o patrimônio do povo mineiro”, argumentou. Para ele, a instalação das bases aliada ao não fechamento das companhias teria um impacto positivo no combate e prevenção à criminalidade.

Pressionado, comandante do CPC aceita alternativa apresentada por parlamentar

Após ouvir a comunidade, outros parlamentares e o comandante do CPC, o deputado estadual Cabo Júlio propôs ao coronel que instalasse primeiro as bases e que estas funcionassem junto com as companhias, para apenas posteriormente pensar no fechamento das 11 unidades policiais.

Sensível às críticas e aos apelos, Cel Winston aceitou a alternativa e disse acatar a atuação conjunta de bases e companhias.

Confira as companhias que integram a proposta de fechamento:

1º BPM: 3ª e 5ª Cias     Image00011
5º BPM: 10ª Cia
13º BPM: 16ª Cia
16º BPM: 20ª e 22ª Cias
22º BPM: 124ª Cia
34º BPM: 9ª e 21ª Cias
41º BPM: 11ª Cia

 

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