Enquanto o Governo dorme, mais um militar é morto pelo Novo Cangaço
05.Dez.2017

A atuação do Novo Cangaço em cidades do interior de Minas Gerais já foi denunciada por esta associação inúmeras vezes, bem como foi cobrado do Governo que tomasse as medidas necessárias para frear esses grupos criminosos.

O modus operandi é sempre o mesmo: bandidos fortemente armados, em grande número, que aterrorizam a população de cidades pequenas e médias, acuam os policiais que atuam com efetivo inadequado e, normalmente, explodem caixas eletrônicos.

Em julho, aconteceu em Santa Margarida e no início deste mês, em Uberaba. Muitas outras ações semelhantes ocorreram, sem qualquer resposta efetiva do Governo do Estado.

Na madrugada desta terça-feira, 05/12, no município de Pompéu, não foi diferente. Bandidos invadiram a cidade e mataram um policial, o Cabo Osias Alves de Barros, com um tiro na cabeça. Outro militar, Cabo Lucas Reis Rosa, foi ferido. Um morador, ainda não identificado, foi fatalmente atingido pelos disparos.

Os criminosos utilizaram quatro carros na operação. Portavam espingardas calibre 12 e fuzis. Além de armarem emboscadas nos trechos que davam acesso ao local do crime, os bandidos tiveram a ousadia de tentar trancar a entrada do quartel, contra o qual também efetuaram disparos, culminando em troca de tiros com os militares em serviço.

Em seguida, explodiram um caixa eletrônico do Banco do Brasil. Também nesta madrugada, durante assalto ao caixa eletrônico do SICOOB, no Distrito de Morro dos Ferros, o cabo Leonel Aquino foi baleado no peito. A situação do militar é estável, mas a segurança pública agoniza.

Até quando?

Falência do Estado

A situação dos policiais militares mineiros, de maneira específica, é insustentável. De acordo com o presidente da Aspra/PMBM, sargento Bahia, o cenário atual massacra a categoria dos militares. Somente neste ano, em Minas Gerais, mais de 15 militares foram mortos.

“Não bastasse termos os nossos salários atrasados, parcelados e corroídos pela inflação, a incerteza do recebimento do nosso direito, que é o 13º, ainda nos é imposto o gosto amargo de ver os nossos irmãos de farda tombar pelas mãos dos bandidos”, desabafa Bahia.

De acordo com ele, os policiais atuam na linha de frente no combate à criminalidade, mas não há contrapartida do Estado.  A soma de fatores como a falta de investimento, o efetivo inadequado e o sucateamento dos instrumentos de trabalho, aliada ao descaso dos governantes, ajudam a puxar o gatilho dos fuzis dos bandidos.

“O que nos desespera é ver que, enquanto o Estado permanece na inércia, o crime se fortalece e se organiza ainda mais. Nós, policiais militares, sabemos a que horas devemos sair de nossas casas, de junto de nossas famílias. Mas retornaremos? Essa resposta nós não temos”, argumentou.

Para o presidente da Aspra/PMBM, se a marginalidade já tivesse sido combatida e acuada desde o princípio, como denunciou e alertou essa entidade representativa dos militares, certamente esse lamentável fato não teria ocorrido. “Quem paga a dívida do Estado é o cidadão de bem”, concluiu.

Cenário remete a 1997 e é um barril de pólvora prestes a explodir

Em reação a este cenário caótico, será convocada uma assembleia para direcionar as ações da categoria. As entidades da classe militar estão mobilizadas para fazer um grande ato de repúdio nos próximos dias. A paralisação das atividades da Polícia Militar não é descartada.

"A situação em que vivemos atualmente é muito semelhante com a do ano de 1997, onde tivemos a paralisação da PM e intensos protestos nas ruas de Minas Gerais devido à falta de estrutura e de apoio por parte do governo. Trata-se de um barril de pólvora prestes a explodir”, alerta Sargento Bahia.

A atuação do Novo Cangaço será tema de entrevista à Rádio Itatiaia nesta terça-feira, 05/12, a partir das 13h. O presidente da Aspra/PMBM será um dos entrevistados.

Acompanhe: http://www.itatiaia.com.br/Home/Player?chave=belo-horizonte

 

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