Parlamentares pedem afastamento do Comandante do 33º BPM
16.Jul.2014

Nesta manhã, 16, aconteceu na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, audiência  pública requerida pelo deputado Sargento Rodrigues, para esclarecer violações de direitos humanos dos policiais militares do 33º Batalhão de Polícia Militar em Betim.

A reunião contou com a presença do comandante do batalhão, Tenente Coronel  PM Jair Antônio Pontes Neto, do presidente da Aspra, Sargento Marco Antônio Bahia, do diretor jurídico da Aspra, soldado Berlinque Cantelmo, do representante da Corregedoria da PMMG, Major Wanderlúcio Ferraz dos Santos, da viúva do cabo Cristian Pablo, senhora Débora Júlia Carvalho, que suicidou no dia 2 de julho , representantes de classe, amigos e familiares do militar morto.

O deputado Sargento Rodrigues apresentou várias mensagens recebidas via  PA, através da internet da PMMG, mensagens do  Ten Cel Pontes ameaçando militares com problemas de saúde, com transferências e mudanças  de setor de trabalho, e que em muitos casos foi levado a cabo. Além dessas denúncias, de acordo com o parlamentar, muitos sindicantes estão sendo perseguidos quando opinam pela não punição. “ Na mente de alguns comandantes existe a premissa de que todo PM que vai ao médico está lubridiando  a administração pública, porém não podemos partir deste pressuposto, somente um profissional da saúde pode autenticar ou não a veracidade de um atestado. Laudos médicos são ignorados e policiais perseguidos. E para piorar a situação alguns são colocados para prestarem serviço fardados e desarmados em postos da guarda municipal.  Isto é um absurdo! Quanto os sindicantes serem punidos. É como se puníssemos o juiz que inocenta um réu, após a exposição dos fatos.”, afirmou o deputado sargento Rodrigues que lembrou que a audiência havia sido agendada antes do suicídio do militar devido as inúmeras reclamações.

A viúva do cabo Cristian Pablo emocionou a todos quanto contou que o seu marido fingia estar bem de saúde por medo de represálias: “Meu marido estava enfrentando problemas de saúde de ordem emocional, e para piorar a situação  apareceram nódulos em minha cabeça e tive que fazer quimioterapia. Mesmo doente ele cuidou de mim, mas parou o tratamento psiquiátrico, pois fora avisado de que poderia ser transferido a qualquer momento por ordem do comando. Sei que esta audiência não trará de volta o meu esposo que tão jovem, 34 anos,  foi tirado da nossa vida. Mas, acredito que através dessas denúncias outras famílias de policiais não passem pelo o que estamos passando. Sei que se o meu esposo fosse compreendido e tratado como deveria, ele não teria se desesperado.”, desabafou Débora entre lágrimas.

 O advogado da família do militar, Dr Jorge Vieira da Rocha, disse que entrará com uma representação criminal no Ministério Público e no Tribunal de Justiça Militar contra o Tenente Coronel  Jair Antônio Pontes Neto: “ O descaso é tão grande que quando a viúva foi ao IPSM resolver algumas questões constava nos registros da instituição de que o seu marido ainda estava vivo”, informou o advogado.

 Questionado sobre as transferências de militares licenciados o Ten Cel Pontes, negou as perseguições: “A demanda operacional de Betim é muito grande e o índice de criminalidade é muito alto, o nosso compromisso com os eleitores de Betim é muito grande não como políticos, mas como servidores públicos. Estas mensagens lidas foram enviadas para uma melhor prestação de serviço. A nossa intenção era aproveitar a parte laboral dos militares, recuperá-los e futuramente trocar com outros para  serem melhor aproveitados em outras unidades”, explicou o comandante.

 O sargento Marco Antônio Bahia, presidente da Aspra, disse que a associação tem recebido denúncias de militares que estão se sentindo pressionados pelo comando: “Alguns militares do 33º chegam a nossa associação afirmando que as dispensas médicas são desqualificadas e os militares questionados quanto ao seu estado de saúde. Em nossa percepção entendemos que o Ten Cel Pontes deveria reavaliar as suas atitudes evitando assim um maior desgaste da tropa”, disse o Sargento Bahia.

O representante da Corregedoria da PMMG,  Major Wanderlúcio Ferraz dos Santos, afirmou que o comando está atento à estas questões, tanto que criou a Adjutória de Direitos Humanos, por estar preocupado com o bem estar físico e mental da tropa. Já o Coronel Picinini não acredita  na responsabilidade do comandante no suicídio do militar, porém cobrou uma maior atuação da Diretoria de Saúde da PMMG na proteção dos militares doentes.

Em lágrimas o diretor jurídico da Aspra, Berlinque Cantelmo, exigiu  uma investigação rigorosa do Ministério Publico neste caso em especial: “Infelizmente neste tipo de audiência não encontramos representantes dos direitos humanos ou mesmo do ministério público. Se fosse o contrário, se um policial militar estivesse sendo questionado por suas ações, todos estariam aqui para jogarem pedras”, afirmou.

Encerrando a sessão, o deputado Durval Ângelo, presidene da comissão de direitos Humanos da Assembleia Legislativa, lembrou que não é função de um comandante legislar ou atuar como médico.

Ao final foi aprovado o pedido do deputado sargento Rodrigues para que fosse enviado  um ofício ao Governador do Estado e ao Comandante Geral da Polícia Militar solicitando abertura de inquérito para apurar as denúncias feitas durante a audiência e pedindo providências para o afastamento do que o Tenente Coronel  PM Jair Antônio Pontes Neto  do comando do 33º BPM. Em outro requerimento o parlamentar pediu que também fosse enviado ao Ministério Público ofício  destas denúncias.

 

 

 

 

 

 

2 comentários

  • Link do comentário Subtenente PM Magalhães 29.Jul.2014 Subtenente PM Magalhães

    Ainda persistem comportamentos antiéticos, desumanos de alguns militares da nossa gloriosa corporação. Alguns chavões de pessoas antiquadas ainda permanecem. Tem militares na corporação que ainda não entenderam que a época da ditadura e dos desmandos já se acabaram. Estes militares que querem ditar normas que não existem, querem legislar em causa própria. Não entendem que Direitos Humanos são para todos. Ainda bem que temos uma boa representatividade atuante que nos apoia a todo momento. Todos desmandos tem que serem devidamente apurados e divulgados amplamente. Somente com este tipo de publicidade e transparência, servirá de modelo para àqueles que ainda persistem nos abusos de poder.

  • Link do comentário Allan 24.Jul.2014 Allan

    Pena que ficará por aí se outros militares não começarem a denunciar também...

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