Há 29 anos, a Polícia Militar de Minas Gerais vivia um dos episódios mais dolorosos e transformadores de sua história. Em 24 de junho de 1997, durante o Movimento Reivindicatório de 97, o Cabo Valério foi atingido e morreu em decorrência do episódio, tornando-se símbolo de coragem, sacrifício e luta por dignidade profissional.
Considerado mártir do movimento, Cabo Valério teve seu nome eternizado na memória dos policiais e bombeiros militares de Minas Gerais e também no calendário nacional. Em sua homenagem, o dia 24 de junho foi instituído pela Lei Federal nº 13.449/2017 como o Dia Nacional do Policial e do Bombeiro Militares, por iniciativa do então deputado federal Subtenente Gonzaga.
Iniciado em 13 de junho de 1997, o Movimento Reivindicatório marcou um divisor de águas para a PMMG. Naquele momento, praças foram às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho, valorização salarial, respeito profissional e dignidade. Mais do que uma mobilização por remuneração, o movimento expressou o clamor de uma categoria contra a precariedade, as arbitrariedades e a falta de diálogo.
A coragem daqueles militares abriu caminho para uma nova fase da história institucional. A partir de 1997, as praças passaram a se organizar com mais força, as associações de classe ganharam protagonismo e a representação política dos policiais e bombeiros militares se consolidou como instrumento legítimo de defesa da categoria.
Entre os principais desdobramentos do movimento (deflagrado pelo tratamento diferenciado dado aos oficiais), estão a união entre praças e oficiais; o fortalecimento da carreira; a emancipação do CBMMG; o reconhecimento das entidades representativas; além de mudanças importantes, como a superação do antigo RDPM e a criação do Código de Ética e Disciplina dos Militares de MG.
Ao contrário do que muitos temiam à época, a luta por direitos não enfraqueceu a Corporação.Na verdade, contribuiu para a construção de uma instituição mais forte, mais consciente de seu papel de Estado e mais atenta à valorização de seus integrantes.
Relembrar 1997 é reconhecer que muitos direitos hoje vistos como naturais foram conquistados com coragem, união e sacrifício.
Neste 24 de junho, a memória do Cabo Valério se une à história de todos os praças que participaram daquele movimento. Que seu nome jamais seja esquecido e que o legado de 1997 continue inspirando as atuais e futuras gerações a honrarem a farda, defenderem a dignidade profissional e manterem viva a luta por valorização, respeito e justiça.